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^000088Orleans, Cozinheiro Mestre^000000

^ff149320o. Dia do 20o. Ms: Competio Culinria do Palcio de Prontera^000000


Charles Orleans, um jovem de 17 anos.
Ele saiu de Payon, uma vila rstica e distante, para vir  capital para participar da
Competio Culinria do Palcio de Prontera dentro de alguns dias. 

"Macacos me mordam, esta cidade  mesmo grande! Vamos l, Pimpo!"

Bem, voc j deve ter notado a falta de realismo nesse dilogo. Quem hoje em dia diz "macacos me mordam",
ou chama seu co de Pimpo? Ele  o esteretipo de heri deste esteretipo de histrica cmica juvenil 
de um garoto do interior vivendo na cidade grande pela primeira vez.

"Ei, quem ? Charles Orleans,  voc?"
"Ah, Sr. Andrei!"

Mais uma conveno da comdia juvenil: o protagonista encontra por acaso
um de seus velhos amigos assim que pe os ps na cidade. Esses caras sempre tm
nomes legais como Richter, Trevor, Grant ou Julius. Infelizmente, esta  a nica apario de Andrei,
mas ele oferece informaes valiosas.

"Puxa, faz anos que a gente no se v, n? Ah, voc vai participar da Competio Culinria
do Palcio de Prontera? Milhares de cozinheiros talentosos de todo o mundo vo estar
l, mas eu acho que voc tem muita chance! Desde que a gente era moleque, voc sempre
foi bom de cozinha!"

Viu s isso? Viu o que aconteceu? Esse cara  s um figurante, mas sabe
o que est fazendo. Ele tratou de revelar um pouco do histrico do protagonista, e at mesmo
ps em cena o desafio que o aguarda. Andrei s apareceu por alguns segundos,
mas certamente est aproveitando bem. Tambm  muita sorte ele
saber exatamente o porqu de Charles Orleans vir a Prontera: voc pode ver
uma coincidncia atrs da outra nessas histrias.

"Sim, com certeza vou me tornar o cozinheiro do palcio!"

T bom, t bom, o protagonista costuma ser um personagem otimista
nessas histrias. No seria demais imaginar que seus olhos grandes, brilhando com
uma esperana sem fim, ocupassem metade do seu rosto.  claro, os transeuntes que no tinham
nada a ver com o garoto e provavelmente no se importavam com o concurso,
para comear, comeam a cochichar...

"Aquele garoto? Cozinheiro do Palcio?"
"Impossvel... Ele nunca vai conseguir!"
"  s um garoto, tem a idade do meu filho!"
"Esses caipiras e suas idias de jerico..."
"Ah! Quem ele pensa que  para seguir seus sonhos? Desista. V pra casa criar uma famlia!"

Uma voz arrogante se ergue entre o zunzum
dos figurantes. Sim,  hora do antagonista fazer sua entrada triunfal!

"Humpf."

Eles sempre parecem to legais com esse jeito de desprezo, n?

"Humpf. Eu ficaria surpreso se voc passasse pelas preliminares... Orleans."

O pblico procura pelo dono da voz, quando de repente -- Tcharaaam! --
uma luz brilhante e o tocar elegante de uma harpa revelam 
um rapaz belo e musculoso, mas no muito, que tem exatamente 30% a mais
de altura do que nosso protagonista.  

Rapazes bonitos e mais altos so os rivais que tm algum relacionamento passado com
o heri, geralmente de melhores amigos. Nessas histrias juvenis,  possvel perceber
o relacionamento de uma personagem com o protagonista de acordo com sua idade, sexo e aparncia. Homens mais velhos
geralmente so rivais, e so na verdade o pai ou o irmo mas velho do heri, 
ou pelo menos eram o melhor amigo do pai do heri. Todas as garotas acabam apaixonadas
pelo heri no fim da histria, mesmo que comecem como inimigas. A nica exceo 
quando a garota  feia: essas pobres tolas geralmente acabam morrendo. Homens feios, naturalmente, so inimigos
que tambm acabam morrendo. 

De qualquer forma, o antagonista aparece e Orleans o reconhece de forma dramtica.

"Kiel? Kiel,  voc mesmo? Pensei que estivesse morto!"

Em resposta, os figurantes comeam a cochichar entre si para que saibamos
um pouco sobre o histrico de Kiel.

"Kiel? Ser o lendrio Kiel?"
"Kiel? No foi ele que se tornou o cozinheiro real mais jovem da histria?"
"Dizem que nenhum homem vivo consegue cozinhar melhor do que ele! Eles o chamam de demnio da cozinha!"
"Ele no desapareceu anos atrs naquele trgico acidente?"

Ento, a msica-tema de Kiel comea a tocar enquanto ele provoca o pobre heri.

"Humpf! Voc no mudou nesses dez anos, desde a ltima vez que te vi, Orleans!"
"K-Kiel...!"
"Voc vai perder o concurso culinrio, porque eu vou vencer! Desista agora
enquanto ainda tem chance!"

Orleans, sendo um tipo de heri otimista, mas ingnuo, se fere mais com essas palavras de
desafio do que com qualquer maldio contra sua famlia.  claro, ele  to bom moo que simplesmente
fica ali parado at pensar no que dizer.

"  verdade mesmo? Que voc trapaceou para se tornar o cozinheiro real?! 
Diga que  mentira, Kiel!"
"Humpf. Eu no me importo. Pense o que quiser."

Todos ns queremos acreditar que Kiel  um cara ruim por causa de sua arrogncia, mas depois
provavelmente vamos descobrir que ele ganhou o cargo de cozinheiro de forma justa, redimindo seu carter. 
Detalhes de um passado doloroso, talvez da histria de uma garota que ele amava e perdeu,
tambm sero revelados. Mas j estamos nos adiantando. De qualquer forma, queremos
estabelecer Kiel como algum com uma habilidade culinria superior  do nosso heri,
pelo menos antes das cenas do treinamento.

"No importa se voc acha que ganhei de forma justa ou no. 
A pergunta : eu ou voc?" 
"Kiel!"
"Se no consegue aceitar que sou melhor cozinheiro que voc, ento prove que 
sabe fazer algo mais do que bater ovos. Espero ver voc na competio daqui a trs dias, 
se voc chegar to longe. Hehe. Qual receita voc poderia ter para fazer frente s minhas? 
Hahahahahaha!"

Todos adoram um azaro, ento o pblico vai respeitar e temer Kiel, e vai
torcer por Orleans e seu cozinho Pimpo. Nessa hora, o esprito de luta de Orleans j deve
estar inflamado. 

A cena muda subitamente para o quarto de Kiel. Ele est sozinho, olhando
pela janela, com um copo de bom vinho na mo. No importa ele ter apenas
dezessete anos: esta  apenas uma histria de fantasia.

"Orleans... Estive esperando por este dia. Voc  o nico que pode me oferecer
um desafio decente. No acredito que merea o ttulo de maior cozinheiro
do mundo at derrotar voc. Esses trs dias... vo parecer uma eternidade. 
Sua arte culinria pode estar inflamada pela luz do amor, mas vou lhe mostrar o verdadeiro poder
culinrio, o poder da solido!"

Agora estabelecemos que Kiel e Orleans so praticamente iguais em habilidade culinria: 
 s uma questo de qual ideologia  melhor na cozinha. Isso levanta algumas questes: 
o que Kiel quer dizer com 'o poder da solido'? Repetimos, provavelmente ele sofreu
feridas emocionais que o vo tornar bem mais simptico no decorrer da histria. 

A cena volta ao nosso heri Orleans, parecendo determinado,
mas sofrendo com as dvidas. 

"Peixe? Carne? Vegetais? No, no pode ser to simples assim. No posso vencer o concurso contando apenas com meus ingredientes. Qual... Qual receita devo preparar?"

Uma voz profunda surge para responder  sua pergunta.

"Quer uma receita especial para o concurso culinrio?"

Orleans se vira na direo da voz, provavelmente vemos dois pares de olhos brilhantes se encarando para termos um efeito dramtico, e ele v um velho mal vestido com uma garrafa de usque na mo.

"Velho... Quem  voc?"
"H cinqenta anos, um cozinheiro jovem e talentoso, assim como voc, ganhou o ttulo de cozinheiro real 
depois de derrotar todos os seus concorrentes no concurso culinrio. No entanto, ele no se contentou
com seu sucesso e no ficou no cargo. Ele partiu em uma jornada para descobrir
a verdadeira arte culinria."
"S-sem essa! V-voc  mesmo...?
"Claro que no. Eu apenas fui um dos auxiliares dele."
"O... Qu...?"
"Ainda assim... Posso ajudar voc. Sei qual receita o cozinheiro lendrio usou para vencer. 
Mas preciso avisar: voc vai preparar esse prato arriscando a prpria vida."
"Por favor! Vamos, me diga! Eu... no tenho medo de morrer!"
"O prato vencedor foi... Caldo de Bafom com Arroz."

Bafom?! Isso  que  reviravolta.

"Diga-me, velho... Como eu cozinho isso?"
"Primeiro, voc deve caar Bafoms no Labirinto de Prontera. Cada vez que voc mata um, ter
uma chance em dez mil de obter o rarssimo Elmo de Bafom. 
Ento... Voc deve encontrar uma mulher de vinte e poucos anos, razoavelmente atraente mas no sensual demais, 
e fazer com que ela use o elmo por cinco horas. Pegue esse elmo, ferva-o na gua a
97,9 graus Celsius por vinte e uma horas. Tempere com sal e pimenta, 
acrescente pimentas verdes picadas, e sirva o caldo com arroz e macarro."

Orleans fica em silncio por um momento, chocado. Depois, grita, 

"Droga! I-isso  impossvel! Como vou encontrar uma mulher razoavelmente atraente
com vinte e poucos anos?! Eu... Acho que no consigo!"
"Bem...  isso, ou voltar para casa de mos abanando. 
Voc veio de to longe apenas para fugir?"

Sabemos da resposta de Orleans quando a cena muda, e o vemos vestindo uma armadura 
na entrada do Labirinto de Prontera. Ele anda calmamente com a espada empunhada, enquanto
Sorrateiros e Moscas Caadoras o cercam.

"No tenho tempo para vocs! Fora daqui!"

Ele golpeia com a espada para baixo, partindo o cho e distorcendo o ar
com um barulho de trovo. Sabemos que no faz sentido algum ele
ter tanto poder assim, mas tudo isso  uma histria de fantasia. Enfim, ele explora 
todo o labirinto, vencendo a todos os monstros, e ento se aproxima da ltima caverna, 
onde o Bafom aguarda.

""O Bafom deve estar a dentro!"

Ele avana em uma sala escura, preparando-se para a batalha, quando v
uma mulher sorridente e gloriosa de p sobre um Bafom morto. A luz do sol brilha por entre 
as folhas das rvores e brinca sobre seu rosto. Um majestoso Elmo de Bafom est cado diante de seus ps.

"No pode ser... Ela derrotou o Bafom sozinha? Espere! Aquilo ali...  o elmo!

Orleans fica em silncio enquanto a bela mulher de vinte e poucos anos olha fundo em seus olhos. Finalmente, ela fala.
 
Voc  um aventureiro?"

Sua voz suave e gentil  mais do que ele esperava. Orleans acena com a cabea, lentamente -- se estiver
sonhando, ele no quer acordar.

"Voc... Poderia me emprestar uma Asa de Borboleta? Estou perdida nesse labirinto
faz cinco horas..."

Orleans abaixa a cabea, e pensa por um instante. Seus olhos se alargam quando surge a idia, 
e ele sorri para ela, quase travesso.

"Acho que tem um jeito para ajudarmos um ao outro. Mas, primeiro, voc poderia
dispor desse elmo...?"

 - Continua
