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^000088A Lenda de Kafra do Fim do Sculo^000000

Esta  uma lenda transmitida entre as funcionrias da Corporao Kafra desde tempos remotos.

A vila montanhosa de Payon estava sendo assolada por terrveis ataques de monstros
desde que o escudo mgico que a protegia foi quebrado, depois que a Corporao Kafra fechou
sua filial na cidade. A maior parte das casas e campos foram arruinados, e
somente alguns idosos fracos demais para fugirem permaneceram ali. Eles perderam a vontade de
viver, e simplesmente ficaram sentados no cho, esperando a morte com olhos
vidrados e semicerrados.

Uma senhora acordou de seu sono com o som de passos se aproximando.
Ela esfregou os olhos, no acreditando no primeiro sinal de vida que via em meses:
um homem grande coberto por uma tnica preta. A bainha de um avental branco
por baixo de seus trajes pretos chamou sua ateno.

"Pensei... Pensei que todas as Kafras j haviam ido embora. 
Voc... Veio mesmo nos salvar?"
Em silncio, o homem de tnica preta apenas acenou para a senhora, que sorriu enquanto
fechava os olhos para sonhar com um futuro melhor. O homem de tnica preta ficou vendo-a sonhar
por um instante, e ento se dirigiu a passos largos at a taverna.

O taverneiro bbado estava encostado em um canto quando o rangido da porta se abrindo
chamou sua ateno. Ele resmungou em uma voz fraca:

"No tenho nada a lhe oferecer, a menos que s queira um copo d'gua."

O homem de vestes pretas no respondeu a princpio, e tomou seu assento no bar, calmamente. 
Sua voz, quase acusadora, doa nos ouvidos do taverneiro.

"Voc no  o dono daqui?"

O taverneiro fechou os olhos, resignado, e apontou para a prateleira de bebidas.
Ele estava totalmente exaurido, sem vontade de resistir.

"Se quiser lcool, isso  tudo o que tenho. Que seja.  s pegar."

O homem de vestes pretas alcanou a garrafa com mais bebida, se sentou em frente
ao taverneiro sonolento, e tragou rapidamente
o contedo da garrafa. Os ouvidos do taverneiro se arrepiaram ao ouvir o homem
suspirar de alvio.

"O que diabos est fazendo neste lugar esquecido por Deus?"
"No sabe o que aconteceu? Acho que voc no sabe o que est acontecendo no mundo."

O taverneiro espiou curioso o homem de vestes pretas, e se endireitou.

"Parece que voc tem alguma histria para contar, se est cobrindo o rosto com um
capuz. Sabe, no  boa idia beber tanto de estmago vazio. 
No quer um pouco de queijo, ou algo assim, para acompanhar?"
"Seria timo, obrigado."

A porta da despensa balanou, e o taverneiro entregou ao homem um prato com fatias
de queijo. Ele notou que as mos do homem de preto eram calejadas e endurecidas quando ele pegou
as fatias.

"Desde que todas as Kafras foram embora, o escudo mgico que nos protegia dos
monstros foi destrudo. Agora sofremos ataques de monstros toda noite. Perdemos mais uma
senhora ontem  noite. Voc... No devia se demorar por aqui tambm."
"Est dizendo que no h nenhuma funcionria Kafra na vila?"
"E isso no  tudo. Parece que as Kafras deixaram todas as cidades. Prontera, Morroc,
Geffen, Alberta... diacho, at mesmo Al De Baran. Quero dizer, ainda temos aquela mquina
Kafra GT infernal, mas no serve pra nada. Ela est mais interessada em nos arrancar impostos,
como se fosse uma 'proteo', do que nos proteger dos monstros. Esse rob  ainda pior
do que os monstros,  o que digo." 

O homem de preto ficou sem falar por um instante, pensando nas palavras do
taverneiro.

"Suponho que... se as funcionrias Kafra voltassem, no faria muita
diferena. Faria?"
"Viu os idosos fazendo viglia na entrada da vila?  triste, mas eles realmente
acreditam que as Kafras viro salv-los.  a nica esperana que
os mantm vivos. E sim, no acho que as funcionrias Kafra possam mudar qualquer coisa.
Tudo o que temos aqui so idosos! Mas em breve, aquele rob tambm vai me matar!"

O rosto do taverneiro estava vermelho de raiva e desespero, e ele teve que tomar
flego antes de continuar.

"Diga-me: o que vai mudar se as Kafras voltarem?! Ser que vale a pena
ter f nelas?!"

O homem de preto no respondeu, e tomou mais um gole de bebida enquanto o taverneiro
deixou cair a cabea, derrotado.
Ento, uma voz digitalizada e controladora quebrou o silncio na taverna.

"*Bip* Karl Vasten, homem de 76 anos. Ele deve ser levado sob custdia por no pagar seus impostos." 
O taverneiro retorceu o rosto ao reconhecer a unidade Kafra GT.

"Como ele pode pagar os impostos se nem estamos ganhando dinheiro?!
Os monstros mataram todos os clientes! Como  que podemos
fazer nosso trabalho se voc no faz o seu, hein?"

O homem de preto serviu-se de bebida mais uma vez e perguntou,

"O que acontece se voc no paga os impostos?"
"V-voc no sabe? Voc  preso, e acaba indo trabalhar como escravo,
ou eles tomam sua casa."

O Kafra GT alertou mais uma vez.
"Se Karl Vasten se recusar a cooperar, usarei a fora. Onde ele est?"
"No temos o dinheiro! Tome,  tudo que tenho!"
O taverneiro pegou algumas moedas de zeny na mo, e as atirou contra
a mquina.
"Atacar um Kafra GT  considerado um ataque contra um oficial do governo, e um crime
grave."

O taverneiro bateu um copo no balco quando a mquina terminou de falar, e
gritou,

"J chega! Me cansei de voc, sua mquina maluca!"

O taverneiro pegou uma espingarda pendurada na parede, e correu para fora da taverna. 
O homem de preto permanecia sem se perturbar com a confuso, bebendo. 
O taverneiro carregou as balas na espingarda, e mirou contra o Kafra GT.

"Quem  voc para dizer que  oficial do governo?! Quem pediu para voc vir perturbar
gente inocente?"

"*Bip* Charles Raven, homem de 38 anos. Identidade confirmada. Avaliando ameaa... 
Espingarda de 27 mm. 0,001% de chance de danificar a armadura. Charles Raven, largue a arma. 
No resista ao seu governo."
"Mquina maldita! Vai pro inferno!"

O taverneiro atirou com sua espingarda, mas o balao ricocheteou sem causar danos 
blindagem pesada do Kafra GT. Os olhos do rob brilharam em uma cor vermelha, como resposta.

"Modo de ataque iniciado."

O brao do Kafra GT se transformou em uma enorme Metralhadora Gatling que comeou a disparar indiscriminadamente
contra a taverna. O taverneiro saltou para se desviar das balas enquanto
continuava a atirar com a espingarda contra o Kafra GT.

"Alto nvel de resistncia detectado. Solicitando autorizao para incendiar Payon."
"Mas que diabos?! S por cima do meu cadver! No vou deixar voc destruir a minha vila!"

A unidade Kafra GT no se incomodou em responder ao taverneiro, e tirou
de trs da metralhadora um lana-chamas.

"Pare, sua mquina louca! Tem gente velha dentro dessas casas!"
"Autorizao... Concedida. Primeiro alvo: a residncia de Karl Vasten."
"No! Por favor! Pare!"
"Parado, Charles Raven. Qualquer ao ser considerada obstruo da justia, 
e as aes apropriadas sero tomadas."
"Como chama isso de ao apropriada?!"

O taverneiro corria em direo  casa, na esperana de salvar o velho Karl Vasten, 
que estava l dentro. Mas ele no foi rpido o bastante: uma enorme chama se acendeu no telhado,
e a casa foi incinerada em segundos.

"Oh, Deus! No acredito nisso! Isso ... Isso  loucura!"
"Bem, Charles Raven. Entregue-se, ou usarei fora letal."

O taverneiro s conseguia olhar para o cho, sem emoo alguma. Ele no tinha sequer
fora para chorar. Ele sentiu seus joelhos se curvando ao cho, enquanto aceitava a morte. 
Mas ento, do canto do seu olho, ele viu o esvoaar de uma tnica preta.

"No se preocupe. O velho est seguro."

O homem de preto colocou Karl Vasten cuidadosamente no cho, e encarou a unidade Kafra GT.

"*Bip* Alvo no identificado. Nenhum registro no banco de dados. 
Altura: aproximadamente 210 centmetros. Peso: aproximadamente 109 quilogramas."
"Ei, voc, tire o velho daqui."
"Identifique-se com seu nome, idade e ocupao." Se recusar, ser
considerado inimigo do estado, e serei autorizado a usar fora letal."
"Certo, tudo bem. Primeiro, tenho vinte e quatro anos."
"*Bip* Informao aceita."
"E meu nome..."

O homem de preto puxou o capuz, e atirou sua tnica para longe. Era uma mulher!

"Meu nome  Blossom! Ocupao: Funcionria Kafra!"

Nesse momento, a casa em chama j havia atrado uma multido de aldees que agora 
aclamava sua salvadora.

"Kafra? Ela disse que  uma...?"
"Elas voltaram! Elas... Vo salvar todos ns!"

O Kafra GT prosseguia com a anlise do seu alvo.
"Avaliando... Nvel de Risco 10. Requisitando... Refor--"

Como um raio, a Kafra Blossom atingiu a cabea da unidade Kafra GT com 
um gancho de direita que fez o gigante metlico voar pelos ares. 
Ele caiu no cho, enquanto seus circuitos estalavam e explodiam.

"No  possvel calcular... Poder... Requisitando reforos imediatamente!..."

A funcionria Kafra olhou para seu oponente cado e cuspiu no cho com desgosto.
"Como ousa sujar o bom nome das Kafras? Nosso destino  servir... e no dominar."

Com uma srie de chutes furiosos, mais rpidos do que o olho consegue enxergar,
o Kafra GT explodiu em um enorme claro. O silncio voltou, s deixando
pedaos de metal queimado no cho.

"Estamos chegando. Os Servios Kafra... Estamos aqui para ajudar."

Blossom se virou para o taverneiro.

"Para que lado fica Al De Baran?"

O taverneiro no encontrava palavras. Por muito tempo, ele viveu com medo. Finalmente,
a esperana havia retornado. Ele podia voltar a viver, e seria eternamente
grato  bela e mortal mulher diante dele. Enxugando as lgrimas,
ele apontou para o nordeste, estremecido.

"Irms. Logo me encontrarei com vocs."

- Continua
