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^dc143cA Rosa que Floresce do Sangue: Parte 1^000000

Autor Desconhecido

Comentrio do Editor:
Esta  uma histria tida por muitos como um conto de fico escrito para atrair as atenes 
para Freya, a deusa do amor e da beleza. Se ela se originou dos registros 
de um aventureiro, ou de uma cano triste dos bardos, no temos 
confirmao. Seu ttulo  desconhecido, e o escrito original no foi encontrado. 
Este conto  sobre dois grupos que lutavam pela deusa Freya contra Odin, e narra 
as proezas de uma herona escolhida pelos deuses, de forma similar  nossa papisa, escolhida 
por Freya. A religio  um tema predominante nesta obra, tornando-a significativa aos leais 
seguidores de Freya. Decidimos preservar o que resta desta histria 
por ela ter um valor cultural grande demais para ser esquecida, e nos esforamos para escrever 
uma reconstituio fiel da verso original. Esperamos que nossos leitores 
apreciem nosso esforo por atingir uma preciso histrica, e aproveitem esta histria.
                                                                     - Departamento Editorial

1.
Esta terra, antes coberta por um gramado muito verde, agora expelia fuligem 
para os cus. Era difcil saber se as nuvens negras que cobriam o cu eram cinzas da guerra ou 
sinal de chuva. Uma espessa neblina cinza que cobria o solo parecia fluir por entre 
a massa de soldados envolvidos na batalha intensa. Eles brandiam suas armas com 
um fervor assassino, pisando sobre os companheiros cados cujos corpos haviam se tornado 
parte da camada de fuligem que cobria o solo.

Os seguidores de Freya acreditavam que sua causa era justa: eles vieram a esta terra, 
trabalharam para torn-la habitvel, mas os pagos nativos eram teimosos demais para dedicar 
suas vidas e sua lealdade  amvel e generosa deusa. Naturalmente, os nativos tinham 
certeza que haviam sido enganados, indignados com esses fanticos religiosos que haviam 
acolhido em suas terras, que agora tinham a audcia de for-los a se converterem  sua estranha 
religio. Embora os seguidores de Freya e os nativos houvessem convivido pacificamente 
por algum tempo, suas crenas conflitantes tornaram a guerra inevitvel. 

Uma trilha de vermelho vivo serpenteava pelas plancies cheias de fuligem, o sangue marcando o avano 
dos soldados. Os troves e as nuvens escuras no cu sobre 
os corpos espalhados pareciam protestar contra a violncia ftil dos soldados que 
lutavam.

"Vai chover logo?"

Um jovem sozinho respirou fundo enquanto ajustava o punho da espada. Por quantos dias
ele estava lutando? Quando a guerra ia terminar? Ele se encostou em uma carreta quebrada, 
e olhou para o cu, procurando uma resposta. Tudo o que ele via eram nuvens negras, agourentas.

"Acho que... Vai chover."

^fa8072"Senia, me desculpe. Eu juro! Por quanto tempo voc vai continuar brava comigo?"
"Humpf!"
"Olhe, Senia. Esta rosa acaba de florescer, como eu prometi. V? Essas ptalas esto bem
vermelhas. Como o rubor do seu rosto, Senia."
Khras estendeu a rosa a Senia, que estava encostada na janela. Ela o encarou com desprezo, 
suspirando. Mais uma resposta ressentida.
"Voc se atrasou de novo. Olhe para o cu."

Mais uma vez, o cu se abriu antes que Khras pudesse chegar at Senia. Era a
quinta vez que Khras no conseguia levar para Senia uma rosa recm-florida em um dia de chuva, 
uma tarefa quase impossvel naquela colina rida. Definitivamente, Senia pedia demais 
dele. Mesmo que fosse praticamente impossvel, mesmo que ele desperdiasse a preciosa gua 
para cultivar aquelas rosas, mesmo que sua famlia e o povo da cidade pensassem que ele estivesse louco, 
ele havia feito a promessa a ela h dois anos.^000000


O clangor de armaduras tirou Khras de seu devaneio. O suor frio que corria em 
seu rosto e o arrepio na espinha indicavam que havia um inimigo prximo. 
Ele tentou reduzir a respirao, apertou por instinto a adaga presa em seu punho esquerdo, 
e ento desembainhou a espada silenciosamente. O barulho das espadas chegou mais perto 
da carroa em que Khras estava apoiado.

Ele estava to perto! Khras devia surpreend-lo e atacar primeiro? Ele o havia avistado  distncia, 
e vinha mat-lo? E se fosse apenas um mensageiro? E se ele s viesse dizer que 
a guerra havia acabado e que ele no tinha mais que se esconder? Espere, no  possvel! Khras 
se retesou enquanto os pensamentos pulsavam em sua mente, em sincronia com o corao acelerado. 
A guerra havia perdido seu significado para Khras depois de dias enfrentando soldados ensandecidos 
se matando sem motivo. Todos pareciam estar gritando o nome do 
seu deus, mas era apenas uma matana desenfreada. Esquea os ideais, as promessas dos deuses. 
Eles eram animais agora, apenas lutando para sobreviver. No era  toa que Khras se sentia amargo.

Ele se esgueirou lentamente por trs de uma placa de madeira que havia cado da carroa. 
O barulho do metal parou, Khras prendeu a respirao e saiu lentamente 
de trs de seu esconderijo. Ele avistou um homem grande que estava procurando 
ao longe, mas que parecia no ter visto Khras. O homem ento se
abaixou at o buraco criado pelo impacto da carroa cada. Khras correu at 
o homem, segurou sua garganta, e encostou a ponta da adaga
contra ela.

"Aliado ou inimigo?" Khras sussurrou, rouco.
"Por que voc mesmo no decide isso?"
A adaga de Khras se enterrou o bastante para deixar um filete de sangue correr pela lmina.
"Responda! Aliado ou inimigo?"
"Por que voc no me matou logo?"
Os olhos de Khras se alargaram com a pergunta do homem. Ele poderia simplesmente ter cortado a garganta, mas 
no sabia por que hesitava tanto em matar o homem. Esse absurdo o deixou com vontade 
de rir bem alto. Alm do mais, matar esse homem no ia garantir sua sobrevivncia na guerra. 
Depois de uma pausa longa e pensativa, Khras respondeu com sua prpria pergunta.
Por que eu deveria matar voc?"
O homem bufou e encolheu de leve os ombros.
"Acho que sei o que quer dizer. No sei como responder. Essa guerra est sendo travada 
em nome dos deuses, mas se voc quer vencer, voc tem que matar seu inimigo mais do que 
ele mata voc. Acho que essas so as regras."
O homem parou, respirando fundo. Khras no podia ver o rosto do homem, mas podia ver que 
ele estava se esforando para no soltar o riso. Khras o apertou mais.
"Vamos. Continue falando."
O homem deu de ombros, e gentilmente tirou a adaga de sua garganta com o dedo. 
Khras no o deteve, e esperou pelas palavras do homem.
"Para matar o inimigo, voc precisa distingui-lo dos amigos.  por isso que temos 
uniformes, para impedir erros tolos como esse. No concorda, Khras?"
Khras se sobressaltou ao ouvir seu nome, e deu uma olhada melhor em seu 
prisioneiro. Khras pde ver pela armadura que ele era um 
mercenrio. O pequeno smbolo sagrado pendurado do seu cinto marrom, manchado de 
lama e sangue, indicava que ele estava lutando pela deusa Freya. Certamente eles estavam 
do mesmo lado, mas como esse homem sabia o nome de Khras? O homem se virou lentamente 
e sorriu gentilmente para Khras.
"Bem, como ela est, hein?"
"Que... Qu?"
Khras reconheceu o rosto de Beren, e correu para abra-lo.
"Pela Deusa! O que foi que eu fiz? Quase matei voc, Beren!"
Beren deu um tapinha nas costas de Khras, tentando alivi-lo da culpa por tentar 
matar um amigo. Beren olhou para Khras por um instante, e ento comeou a escavar 
o buraco usando uma placa de madeira arrancada da carroa. Quando o buraco ficou 
fundo o bastante, ele aplainou o solo em volta, e cobriu o buraco com a carroa. 
Agora tinham o esconderijo perfeito.

Khras olhou para Beren enquanto alisava a lmina da adaga. Enquanto Beren se sentava 
perto dele, perguntou em voz baixa:
"Como sabia que era eu?"
Beren sorriu. "Voc  o nico que conheo que usa uma arma na mo esquerda 
em vez de um escudo. Tive sorte  se eu no soubesse disso, voc j teria
me matado. J faz alguns anos que a gente no se v, no ? Queria que
a gente tivesse se reencontrado em outras circunstncias."
" ..."

O cu estava nublado demais para se saber se era dia ou noite. O clamor dos gritos e das armas 
ficou mais distante, e deu lugar ao rugido dos troves e relmpagos 
nas nuvens.
"Acho que vai chover logo." Khras murmurou.
Beren assentiu, e olhou para o cu.
"Acho que a batalha logo vai terminar. De um jeito ou de outro."
"Parece que nunca termina. Est uma loucura l."
Khras parou, pensativo. "Beren... Voc teve sorte de no estar na
pior parte."
"Mas... Eu estava no 3o. esquadro."
" ? Bem, eu..."
Khras olhou para Beren por um instante, e ento olhou para o cu.
"Fui eu quem incendiou as plancies enquanto fugia para as cercanias. A plantao 
tinha um brilho dourado no sol do outono. Agora veja. Reduzi tudo a uma terra arrasada. 
Eram minhas ordens, era nossa estratgia... Mas tambm foi nossa perda. 
Era to bonito, e eu arruinei tudo."
"De qualquer maneira, acho que tivemos sorte de no lutar com aqueles malucos da colina do outro lado. 
Eles ainda esto lutando, mesmo sem chance de vencer. 
Uma total idiotice."
Khras piscou quando os primeiros pingos de chuva caram em seu rosto. Os clares dos 
relmpagos e o ressoar dos troves vieram com fora total, abrindo caminho na chuva torrencial. 
A chuva surrava o cho, espalhando as cinzas, dissolvendo a poeira em um 
vermelho vivo. Beren assistia  chuva em silncio. A cor o lembrava de 
rosas, e uma antiga lembrana veio a ele.
"Khras? O que aconteceu com ela? Sen... Era o nome dela, no era? Aquela com quem voc fez 
uma promessa estranha."
"O nome dela era Senia."
"Senia, isso mesmo. A que fez voc prometer levar rosas frescas na chuva?"
Khras ficou um pouco confuso. Aqueles tempos felizes estavam to distantes. Ele sorriu para
si mesmo. A guerra no era to importante, no final das contas. Ele se sentia melhor pensando no que 
realmente o fazia feliz. Os pensamentos de Khras se voltaram para 
a bela Senia, de pele to alva e fresca quanto as ptalas de um lrio.

- Continua

*Esta  uma obra de fico; qualquer semelhana com personagens e eventos reais  mera coincidncia.
